Osun

Mãe da água doce, Rainha das cachoeiras, deusa da candura e da meiguice, dona do ouro. Osun é a Rainha de Ijexá. Orixá da prosperidade, da riqueza, ligada ao desenvolvimento da criança ainda no ventre da mãe. Osun exerce uma ampla influência no comportamento dos seres humanos, regendo principalmente o lado teimoso e manhoso, além daquele espírito  maquiavélico que existe em todos nos. Dizem que “ a vingança é um prato que deve ser servido frio” e a articulação da vingança e seus pormenores tem a influência  desta força da Natureza. No bom sentido, Osun é o “veneno” das palavras, é o comportamento piegas das pessoas, é a forma “metida”, esnobe, apresentada, principalmente pelo sexo feminino. Osun é o cochicho, o segredinho, a fofoca. Geralmente está presente quando um grupo de mulheres se reúne. É o seu habitat, pois está encantada nas conversas, nos risinhos, nos comentários, nas intriguinhas. Osun rege o charme, o it, a pose. Tudo que está ligado à sensualidade, à sutileza, ao dengo, tem a regência de Osun. Esta força é que desenvolve tais sentimentos e comportamentos nos indivíduos, sendo o sexo feminino o mais influenciado. Osun também é o flerte, o namoro, a paquera, o carinho. É o amor, puro, real, maduro, solidificado, sensível. Osun não chega a ser a paixão. Esta é Iansã . Osun é o amor, aquele verdadeiro. Ela propicia e alimenta este sentimento nos homens, fazendo-os ser mais calmos e românticos. Realmente, Osun é a Deusa do Amor. Sua força está presente  no dia-a-dia, pois que não ama de verdade? Embora o  mundo de hoje esteja tumultuado demais, ainda existe espaço no coração do homens para o amor. Ele ainda existe, e Osun é quem  gera este sentimentos mágico. Aliais, Osun está muito intimamente ligada à magia. É sabido pelo povo do  candomblé que o filhos de Osun são muito chegados ao feitiço. E isso tem explicação: Osun é a divindade africana mais ligada às Yámi Oxorongá, feiticeiras, bruxas. Com elas aprendeu a arte da magia. Por isso, os filhos de Osun são tão poderosos nesta arte. Mas a magia está  presente em quase tudo que fazemos, principalmente no que se refere ao coração, ao sentimento. Osun é o encanto desses momentos, sua presença se dá nessas horas. Osun é os sentimentos doces, equilibrados, maduros, sinceros, honestos. É o sentimento definitivo, aquele que dura a toda a vida. Osun é a paz no coração, é o saber que “amo e sou amado”. Mas ele se encanta também na manha, no denguinho feminino, na vontade de ter algo, apenas por ter. Ela é o mimo, a menininha mal acostumada. É a sensualidade do “biquinho” feminino, quando quer uma coisa. É o charme! Osun também é a água doce, o olho d'água, onde encanta seu filho Logun-Éde. É a cachoeira, o rio, que também tem a regência de seu filho. É a queda da água da cascata. Regente do ouro, ela está presente e se encanta em joalherias e outros lugares onde se trabalha com ouro, seu metal predileto e de regência absoluta. É a protetora dos ourives. Osun é o próprio outro, e está presente em todas as peças e jóias feitas com este metal. Entretanto, a regência  mais fascinante de Osun é a fecundação, melhor, o processo de fecundação. Na multiplicação da célula mater – que vai gerar a criança, a nova vida no ventre – Exu entrega a regência  para Osun, que vai cuidar do embrião, do feto, até o nascimento. É Osun que vai evitar o aborto, manter a criança viva e sadia na barriga da mãe. É Osun que vai reger o crescimento desta nova vida que estará, neste período de gestação, numa bolsa de água – como ela, Osun, rainha das águas. É sem duvida alguma, uma das regências mais fascinantes, pois é o inicio, a formação da vida. E Osun “tomará conta” até o nascimento, quando, então, entregará para Yiá Ori (Iemanjá), que dará destino àquela criança.

Como disse antes, Osun é uma força da Natureza muito presente em nossas vidas, já que todos nós fomos gerados no útero materno; todos nós convivemos, ainda na barriga da mãe, com Osun e, num breve sentimento de carinho e amor, estaremos desenvolvendo esta força dentro de nós. Osun é o amor e a capacidade de sentir amor. E se amamos algo ou alguém é porque ela está viva dentro de nós.

Mitologia

Filha de Oxalá, Osun sempre foi uma moça  muito curiosa, bisbilhoteira, interessada em aprender de tudo. Como sempre fora mimosa e manhosa, além de muito mimada, conseguia tudo do pai, o deus da brancura. Sempre que Oxalá queria saber de algo, consultava Ifá. O Senhor da adivinhação, para que ele visse o destino  a ser seguido. Ifá, por sua vez, sempre dizia à Oxalá: - Pergunte a Exu, pois ele tem o poder de ver os búzios! E este acontecimento se repetia a cada vez que Oxalá precisava saber de algo. Isto intrigou Osun, que pediu ao pai para aprender a ver o destino. E Oxalá disse à filha: - Osun, tal poder pertence a Ifá, que proporcionou a Exu o conhecimento de ler e interpretar os búzios. Isto não pode lhe dar! Curiosa Osun procurou, então, uma saída. Sabia que o segredo dos búzios estava com Exu e procurou-o para lhe ensinasse. - Ensina-me, Exu! Eu também quero saber como se vê o destino. Ao que Exu respondeu: Não, não! O segredo é meu, e me foi dado por Ifá. Isso eu não ensino! Exu estava intransigente. Osun sabia disso e sabia que não conseguiria não conseguiria nada com ele. Partiu, então, para a floresta, onde viviam as feiticeiras Yámi  Oxorongá. Cuidadosa, foi se aproximando pouco a pouco do âmago da floresta. Afinal, sua curiosidade e a decisão de desbancar Exu eram mais fortes que o medo que sentia. Em dado momento deparou-se com as Yámi, empoleiradas nas árvores. Entre risos e gritos alucinantes, perguntaram À jovem Osun: - O que você quer aqui mocinha? - Gostaria de aprender a magia! Disse Osun, em tom amedrontado. - E por que quer aprender a magia? - Quero enganar Exu e descobrir o segredo dos búzios! As Yámi, há muito querendo “pegar Exu pelo pé”, resolveram investir na jovem Osun, ensinando-lhe todo o tipo de magia, mas advertiram que, sempre que Osun usasse o feitiço, teria que fazer-lhes uma oferenda. Osun concordou e partiu. Em seu reino, Oxalá já se preocupava com a demora da filha que, ao chegar, foi diretamente ao encontro de Exu. Ao encontrar-se com este, Osun insistiu: - Ensina-me a ver os búzios, Exu? - Não e não! Foi sua resposta. Osun, então, com a mão cheia de um pó brilhante, mandou que Exu olhasse e adivinhasse o que tinha escondido entre os dedos. Exu chegou perto e fixou o olhar. Osun, num movimento rápido, abriu a mão e soprou o pó no rosto de Exu, deixando-o temporariamente cego. - Ai! Ai! Não enxergo nada, onde estão meus búzios? Gritava Exu. Osun, fingindo preocupação e interesse em ajudar, perguntou a Exu: - Eu os procuro, quantos búzios, formam o jogo? - Ai! Ai! São 16 búzios. Procure-os para mim, procure-os! - Tem certeza de que são 16, Exu? E por que seriam 16? - Ora, ora, porque 16 são os Odus e cada um deles fala 16 vezes, num total de 256. - Ah! Sei. Olha, Exu, achei um, ele é grande! - É Okanran! Ai! Ai!  Não enxergo nada! - Olha, achei outro, é menorzinho. - É Eji-okô, me dê, me dê! - Ih! Exu,. Achei um compridinho! - E Etá-Ogundá, passa para cá.... E assim foi , até chegar ao ultimo Odu, Inteligente, Osun guardou o segredo do jogo e voltou ao seu reino. Atrás de si, deixou Exu com os olhos ardidos e desconfiados de que fora enganado. - Hum! Acho que essa garota me passou para trás! No reino de Oxalá, Osun disse ao seu pai que procurara as Yámi, que com elas aprendera a arte da magia e que tomara  de Exu o segredo do Jogo de Búzios. Ifá, o Senhor da adivinhação, admirado pela coragem e inteligência de Osun, resolveu dar-lhe, então, o poder do jogo e advertiu que ela iria regê-lo juntamente com Exu. Oxalá quis saber ao certo o porquê de tudo aquilo e pediu explicações à filha. Meiga, Osun respondeu ao pai: - Fiz  tudo isso por amor ao Senhor, meu pai. Apenas por amor! “Ora Yê Yê, amor.... Ora Yê Yê, Osun...

Dados

Dia: Sábado;
Data: 8 de dezembro;
Metal: latão e ouro, o bronze e o cobre;
Cor: amarelo;
Partes do corpo: todo o rosto, o baixo ventre, o baço; às vezes o coração; patrona do ventre; a terceira visão e a circulação sanguínea  (os rios);
Comida:
omoolocum e banana fritas;
Arquétipos: calmos, carinhosos, desprendidos, vaidosos, volúveis, altruístas, sonhadores, muito elegantes apaixonados, por jóias, perfumes e vestimentas caras; símbolo do charme e beleza, sensuais, porém reservados, evitam chocar a opinião publicar à qual dão grande importância; sob sua aparência calma e sedutora, escondem uma vontade muito forte, um grande desejo de ascensão social.
Símbolo: abebê.